O transtorno bipolar é um distúrbio bastante comum. Segundo o psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), Peng Chei Tun, a bipolaridade no comportamento é um transtorno marcado pela variação do humor. A pessoa rapidamente sai de um estado de euforia, felicidade e satisfação e cai em depressão sem uma razão aparente."Corremos o risco de ter o transtorno alguma vez na vida. Entre 8% e 10% da população sofrem do problema", explica o psiquiatra do HC, que escreveu o livro "Enigma bipolar” (2007, Editora MG).
O grande problema é que “90% dos bipolares vivem mais a fase de depressão do que a de euforia" – afirma o psiquiatra. "Na maioria das vezes, o transtorno é hereditário. Chama a atenção, a variação entre a felicidade e a tristeza sem controle e exagerados".
Não existe uma idade definida para a manifestação do transtorno bipolar. Mas o problema tende a aparecer na adolescência. Como se trata de uma doença crônica, não existe uma cura permanente. O controle da variação do humor é realizado à base de remédios e terapia
O bipolar e o trabalho
Nas épocas da vida em que o bipolar é muito cheio de energia consegue realizar as tarefas de uma semana inteira em apenas um dia e meio. É quando a empresa aumenta a quantidade de trabalho para ele, depositando muitas esperanças.
Meses depois, no entanto, o profissional pode vivenciar sua fase depressiva e ter dificuldade, inclusive, de ir ao trabalho. O Dr. Tung explica que, nesta fase, o bipolar dorme demais e não consegue acordar na hora, ou dorme pouco e não rende; arranjam várias coisas para fazer à noite e acabam dormindo tarde. Como resultado, a produtividade cai porque a não conseguem acordar e chegam sempre atrasados e, se conseguem levantar da cama, ficam cansados todo o dia.
A impulsividade é outra característica marcante do bipolar. Eles falam e fazem o que querem, sem pensar muito. A vantagem competitiva é que são poucos os profissionais ousados, criativos, que não têm medo de arriscar. O lado negativo é que o bipolar pode colocar a empresa em situações de vulnerabilidade.
Em um cargo de chefia, a pessoa com transtorno bipolar pode acabar sendo injusta e agressiva, embora muitas delas sejam carismáticas e tenham características de líder. “O líder que é bipolar, mas que tende à depressão, geralmente é aquele chefe de que ninguém gosta. Está sempre irritado e triste, é chato e perfeccionista. Ninguém suporta", afirma o médico.
Há bipolares que passam a vida toda no estado eufórico e são muito criativos e produtivos. "São os executivos que acabam sendo bem-sucedidos no mercado. Porém, podem, de repente, se estressar e ficar deprimidos. Então ele entra em um ritmo lento, fica largado, não consegue ir ao trabalho" – diz o psiquiatra do HC.
Por outro lado, há bipolares que estão sempre deprimidos. O problema da fase deprimida é que ela implica queda na produtividade e na qualidade do trabalho e absenteísmo. Ainda existe a pessoa com transtorno bipolar que está sempre "flutuando". Às vezes, ela está bem, outras vezes, está mal. A produtividade cai, mas ela faz de tudo para disfarçar.
*Fonte: InfoMoney (29/08/08)


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